Mulheres comandam análise de armas no Rio

Data 10/01/2012 16:00:00 | Assunto: Diário Oficial

Os exames da perícia criminal exigem atenção e paciência, por isso as mulheres se interessam por ele logo na Academia de Polícia. No setor, são analisadas cerca de 200 armas por mês, podendo aumentar quando há grandes operações.


O confronto balístico, um dos principais exames da perícia criminal no Estado do Rio, está em mãos femininas. Dos 15 profissionais que atuam no setor de Perícia de Armas de Fogo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), oito são mulheres. E são elas as responsáveis pela análise detalhada de projéteis e armas de fogo para confirmar, em caso de crime, se a arma em questão disparou ou não o tiro.

- Acho o nosso trabalho lindíssimo porque a gente soluciona os crimes e, na maioria das vezes, nem sabemos quem são os envolvidos - afirmou a chefe do setor, que por motivos de segurança prefere não se identificar.

Ao ser disparado, o projétil sofre uma pressão no cano da arma, onde há raias que imprimem nele características singulares. É como se a bala tivesse uma impressão digital. Para confirmar isso, são feitos disparos em tubos com algodão, e projéteis do crime e outros disparados pelos peritos são analisados em microcomparadores.




Setor recebe cerca de 200 armas por mês

Além disso, as peritas verificam lotes dos projéteis e numeração das armas. É comum armamentos utilizados por criminosos terem a numeração raspada. Neste caso, a equipe usa reagentes químicos para recuperar os dados. Em períodos de movimento padrão, as peritas analisam cerca de 200 armas por mês. Após grandes operações, no entanto, o movimento aumenta. Depois da ocupação da Rocinha, por exemplo, o setor recebeu mais de 70 fuzis e 28 mil munições.

O trabalho exige atenção e paciência. Por isso, as mulheres se interessam pela função logo na Academia de Polícia. As profissionais têm um perfil diferenciado: são pesquisadoras, a maioria biólogas. Ter formação em alguma área científica é pré-requisito para a função.

- Isso aqui é trabalho para mulher. Somos mais criteriosas para olhar - disse a perita mais antiga do setor, que fez história participando de casos de grande repercussão, como o assassinato da juíza Patrícia Acioli.





Esta notícia foi publicada na Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro
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