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Diário Oficial : Moradores de comunidades aprovam UPPs
em 07/07/2016 09:24:23 (534 leituras)




A maioria dos moradores de comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio, 75,8%, aprova o projeto e quer a sua manutenção. É o que revela a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Dimensionamento dos impactos sociais das UPPs em favelas cariocas, realizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Foram ouvidos 2 mil moradores em 20 comunidades. Nas classificadas como “UPPs antigas” (instaladas entre 2008 e 2010), a aprovação é maior, 87,4%. No grupo das “UPPs recentes”, instaladas entre 2012 e 2014, 64,2% dos entrevistados disseram que as UPPs devem continuar.

Segundo o cientista social e coordenador da pesquisa, Márcio Grijó, os moradores avaliam positivamente a permanência de policiais nas comunidades.

– A maioria dos moradores quer que as UPPs continuem porque entendem que houve melhoria em alguns aspectos como a oferta de serviços públicos – afirmou Márcio Grijó.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), desde a implantação da primeira UPP, em 2008, os índices de criminalidade nestas áreas despencaram. Em 2007, antes das UPPs, a taxa de letalidade violenta (homicídio doloso + lesão corporal seguida de morte + auto de resistência), era de 61 casos por 100 mil habitantes. Em 2014, a taxa caiu para 11 por 100 mil. A queda ajudou a reduzir o número de ​homicídios dolosos​ por 100 mil habitantes n​o município do Rio de Janeiro. Em 2006​, a taxa era de 40,2 por 100 mil habitantes. Já, em 2015, caiu para 18,6, a menor em toda a série histórica da cidade.

O estudo da FGV foi dividido em duas etapas. A primeira entre 2 de abril e 1º de junho de 2014, nas “UPPs antigas”: Santa Marta, Cidade de Deus, Jardim Batam, Babilônia, Tabajaras, Providência, Borel, Formiga, Andaraí e Vidigal. A segunda etapa foi feita entre 6 de novembro do ano passado e 8 de janeiro deste ano, em comunidades classificadas como “UPPs recentes”: Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Alemão, Vila Cruzeiro, Rocinha, Manguinhos, Jacarezinho, Barreira do Vasco/Tuiuti, Cerro Corá, Lins e Vila Kennedy.

Entre os moradores das UPPs mais antigas, 58,6% consideram que a situação das comunidades melhorou. Já nas comunidades com UPPs mais recentes, 42% dos residentes destacam a melhoria da situação nos locais.

O estudo revela ainda que 56,6% dos residentes em locais com UPPs antigas consideram que houve melhorias dos serviços públicos; em UPPs recentes, 37,6% veem melhorias. Em relação ao tratamento dado pelos integrantes das unidades, 70,6% dos moradores do primeiro grupo afirmam ser respeitoso e 60,8% do segundo grupo concordam.

Nas comunidades visitadas na primeira etapa, 62,8% dos entrevistados disseram que, com a chegada das UPPs, diminuiu o número de armas em poder dos bandidos. Além disso, para 64,2% houve redução no tráfico de drogas. Já na segunda etapa da pesquisa, 38,4% acreditam que a venda de drogas caiu.

– Em comunidades em que as UPPs já estão mais consolidadas, existem evidências de que os tiroteios e as mortes diminuíram – disse a professora do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, Ludmila Ribeiro.

Três perguntas para o secretário de Segurança

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, conversou com o D.O Notícias sobre os resultados da pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas. 

D.O Notícias – O que o resultado da pesquisa representa para o projeto? – 
O resultado mostra que as UPPs foram avaliadas positivamente pela população. Foi uma pesquisa externa e realizada por uma instituição renomada com a metodologia apropriada. Ao final da pesquisa, a nota média dada pelos moradores ao projeto foi de 7,1 para as UPPs mais antigas ou consolidadas e 5,3 nas mais recentes. Um dado que aponta que a avaliação melhora quanto mais o projeto se consolida. Outro dado tocante é que 87,4% dos moradores de comunidades de UPPs antigas (inauguradas entre 2008 e 2012) e 64,2% dos moradores das comunidades de UPPs mais recentes (inauguradas entre 2009 e 2014) defendem que elas devem continuar. Esta sinalização vinda do morador da comunidade, o principal “cliente” do projeto, é muito importante.

D.O Notícias – O estudo reflete o que ouve nas visitas às UPPs? –
A pesquisa confirma o que eu sempre percebi quando visitava as comunidades e conversava com os moradores. Ninguém melhor do que o próprio morador para avaliar a UPP. Dentro das comunidades, o apoio muitas vezes é feito por um gesto discreto de positivo. Nas ruas, me abordam abertamente pedindo a instalação das UPPs em comunidades ainda não pacificadas.

D.O Notícias – A partir dos dados apontados na pesquisa, como o projeto pode ser aperfeiçoado? - Estamos no caminho certo ao saber que a maioria respondeu que pode se expressar nas comunidades (77,5%), acredita na melhoria da situação e deseja que a UPP continue (87,4% nas antigas; 64,2% nas recentes). É claro que um programa dessa dimensão precisa de ajustes e isso tem sido feito. Vamos seguir em frente. 

Leia a notícia no Diário Oficial.

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