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Notícias
Imprensa Oficial : Em meio ao maquinário moderno, Nova Imprensa Oficial mantém trabalho artesanal
em 14/03/2011 13:30:00 (3073 leituras)


Mariana FloritoRolos de linha e agulhas, pincéis e tubos de cola, pequenas tipografias em chumbo e fitas douradas. O cenário, que lembra o ateliê de um artista, substitui a rigidez das máquinas e é palco para um trabalho que conserva a memória da empresa, transformando os exemplares do Diário Oficial em livros encadernados em brochura. Na seção de encadernação há 28 anos, o funcionário Alnair Rocha aprendeu o ofício ainda criança, com o pai, e hoje é um dos poucos que sabem realizar este tipo de trabalho diante do panorama de modernização da Nova Imprensa Oficial.

O que se vê no espaço de trabalho de Alnair são grandes pilhas de encadernações feitas fora da Imprensa aguardando a restauração. “Quando esse tipo de encadernação é feita em máquina, o serviço não fica bom. A costura fica cheia de problemas. Tem que ser a mão, costurado diretinho, para o livro ficar perfeito e maleável para tirar cópias”, enfatiza o funcionário. Ele ainda explica que, em média, faz um livro por dia, mas dependendo do volume, chega a confeccionar duas encadernações.

Como um verdadeiro artesão, atento aos detalhes e desejoso da perfeição de sua obra, Alnair dá início ao seu trabalho. As páginas do Diário Oficial são cuidadosamente costuradas por ele em pequenos livretos que, juntos, se transformam no volume de um grande livro. O papelão que constituirá a capa é cortado em tamanho correto na máquina conhecida como “Tesourão”. Feito isso, ele cola os livretos costurados no papelão e, depois de ter a base da encadernação feita, encapa o livro com um material chamado vucapel, que lembra a aparência do couro. O livro passa ainda por uma prensa que retira as eventuais bolhas de ar entre o papelão e o vucapel. As letras douradas dão o toque final, que identificam o conteúdo e a destinação do livro, como por exemplo, os Diários Oficiais de 2010 a serem enviados para a biblioteca da Imprensa ou Arquivo Público do Estado. As pequenas tipografias de chumbo são montadas em um aparelho chamado componidor. Lá, elas são aquecidas para serem pressionadas sobre as fitas douradas e a capa.

A beleza do resultado é notável: folhas dispersas se transformam em um grande livro, que mistura a rigidez da capa e o requinte da tipografia dourada. A costura manual facilita o manuseio do volume, fazendo com que as páginas tenham caimento uniforme, sem repuxos na brochura.

Mesmo voltado para o trabalho manual, Alnair não deixa de se impressionar com a modernização da empresa: “isso aqui mudou da água para o vinho. Essa modernização foi um salto para a eternidade”, diz ele.

A empresa disponibiliza todos os Diários Oficiais desde 1931 até hoje e ficam disponíveis à consulta e cópias para o público em geral. A biblioteca fica na nova sede da Imprensa Oficial, na Rua Heitor Carrilho, 81, no Centro de Niterói, RJ e está aberta a visitação das 9h às 16 h de segunda a sexta-feira.

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