Logotipo IOERJPágina Principal
sexta, 15 de novembro de 2019
Entrar
Usuário:

Senha:

Lembrar-se



Esqueceu a senha?

Notícias
Diário Oficial : Iterj lança livro sobre líderes de movimentos de luta pela terra
em 02/05/2016 09:50:23 (581 leituras)




O livro Memórias da Luta pela Terra e Moradia no Estado do Rio, organizado pelo Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj), reúne histórias de 24 líderes de movimentos sociais de 18 comunidades ou assentamentos urbanos e rurais fluminenses. A distribuição é gratuita a instituições acadêmicas, órgãos públicos e bibliotecas.

Outros produtos incluem a organização de um banco de dados com as entrevistas realizadas; uma exposição fotográfica; e vídeos que serão veiculados na TV Universitária e no Portal do Iterj.

Em seis capítulos, o livro aborda temas como o valor simbólico da luta pela terra e moradia, a organização da luta, a participação da igreja, além do papel das lideranças. O eixo principal da publicação são os depoimentos dos líderes aos pesquisadores do Iterj, mas vários capítulos, escritos por cientistas sociais e historiadores, analisam os modos de pensar e de agir das lideranças nos processos de ocupação e luta pela legalização fundiária.

“Em dado momento de suas vidas, eles tomaram consciência de um direito. Não o direito criado pelas leis, mas o de estar em uma terra por nela ter nascido ou por ter sido expulso e se achar no direito de reaver sua moradia em outro lugar”, afirmou a pesquisadora Maria Carolina Amendolara, um das autoras.

>>> Regularização - O sociólogo Marcos de Aquino, analista de Desenvolvimento Agrário do Iterj, estudou a dinâmica das ações e atribui o sucesso das ocupações à estratégia adotada pelos grupos. É o caso da ocupação de terra liderada por Laerte Bastos, que deu origem ao assentamento rural de Campo Alegre, em Nova Iguaçu/Queimados.

“Laerte elaborou todo o planejamento que envolvia uma sucessão de etapas, que vai desde a pesquisa do terreno até a montagem de um acampamento próximo à estrada”, disse Marcos.

A tática de montagem de acampamento, usada pela primeira vez em Campo Alegre, tornou-se símbolo da atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).  No outro extremo, é apontado o método de confronto adotado por Dona Maria, líder do assentamento que gerou a Comunidade Parque Brasil Novo, em Duque de Caxias.

O Iterj está à frente do programa de regularização fundiária em áreas urbanas e rurais. Voltado para famílias de baixa renda, o projeto está em expansão para o interior e beneficia 15 mil famílias em 47 municípios.

>>> Conheça as histórias:

>>> José Brum - Oriundo de São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, José Brum se viu obrigado a migrar para o Estado do Rio depois que o governo capixaba preferiu a indústria ao cultivo do café, direcionando os incentivos fiscais para a área urbana, no final da década de 70. Ele e sua família (mãe e nove irmãos) foram para Itaguaí, na Baixada Fluminense.

Um dia, em 1986, passando por um acampamento de sem terra em frente à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica, desceu do trem para saber do que se tratava e, desde então, abraçou a luta pela reforma agrária e liderou 130 famílias na luta por assentamento na Fazenda São Domingos, em Conceição de Macabu, em 1987.

Hoje, a comunidade liderada por Brum, é responsável pelo reflorestamento e qualificação ambiental da região e tornou-se uma referência em agricultura familiar e agroecologia.

>>> Dona Maria - Com três filhos, Dona Maria rompeu um casamento e saiu de Campos, no Norte Fluminense, para uma ocupação em Duque de Caxias, que deu origem à Comunidade Parque Brasil Novo. Ela liderou catadores de lixo de Gramacho e organizou a ocupação, enquanto assumia a interlocução com a Marinha do Brasil, que ameaçava remover a comunidade. Seu maior aliado foi Leonel Brizola, governador do Rio, que deu início à regularização fundiária do terreno, desapropriando a área em favor da comunidade.

Em 1986, Dona Maria foi a um evento, onde estaria o governador. Ela entrou no local da reunião de joelhos para lhe entregar um pedaço de papel com uma mensagem de apelo. Cercada por seguranças, apelou: “Dr. Brizola, eu não estou armada, vim pedir socorro”.  E foi atendida.

Leia a notícia no Diário Oficial.

Imprimir